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Aracajú (SE) / Água Doce (SC)- Em busca de bons ventos

· Ceará


Há quem pague caro para relaxar sobre uma rede, sentido a brisa das montanhas ou do mar, em lugar paradisíaco. Não é de hoje que o frescor dos bons ventos -- na medida certa, claro -- é um forte aliado do turismo. Ultimamente, o “sopro” que balança a palha dos coqueiros ganhou novo valor. É fonte de energia elétrica. Em nome de um planeta mais limpo e sustentável, cataventos de até 80-100 metros de altura, já tradição faz algum tempo em paisagens européias, espalham-se no Brasil.

Além de gerar energia, potencializam atrativos turísticos. No litoral-Oeste do Ceará, parques eólicos recém-instalados mudam o cenário de praias, dunas e coqueirais, compondo novos cartões-postais. De Fortaleza para a badalada Jericoacara, o visual das torres eólicas é ponto alto no percurso offroad de 300 km pela beira do mar, oferecido por operadoras (www.jeri.tur.br). No município de Acaraú (CE), a praia Volta do Rio é reduto de pesca artesanal e tem 28 cataventos de alta performance ao lado de manguezais.

Na enseada vizinha, o vento que atrai turistas do mundo todo para a prática de windsurfe em Jericoacara também move o Parque Eólico do Morgado, que compõe um cenário de encher os olhos juntamente com extensos carnaubais. Mantenha a câmera fotográfica com bateria devidamente carregada para a hora do por do sol -- uma cena que se repete no litoral-Leste de Fortaleza, sobre dunas da Prainha e Parajuru.

No Sul do País, parques eólicos cobrem campos de altitude. É o caso do município de Água Doce (SC), com acesso por vôo regular até Chapecó e mais duas horas por estrada. Além das torres já existentes, mais 86 começarão a funcionar até maio de 2011, o que dará ao lugar o título de “capital brasileira da energia eólica”. “Essa boa imagem atrairá indústrias, negociantes e turistas”, afirma a prefeita Nelci Bortolini.

O projeto é aliar a novidade dos cataventos ao ecoturismo, porque cachoeiras naquelas bandas resistiram à derrubada da floresta e suas araucárias. O lugar é antiga rota de tropeiros na condução de gado e transporte de mercadorias entre o Sul e o restante do país. Mas, no Norte catarinense, o destaque é a tradição dos imigrantes italianos, expressa na cultura e gastronomia. Nos arredores de Água Doce, a vinícola Villagio Grando mantém estrutura para visitação de parreirais e degustação de vinhos premiados, com vista panorâmica para um exuberante lago entre colinas. No alto de uma delas, um mirante permite avistar as torres eólicas na paisagem ao longe.

Diante dos benefícios, o vento constante e quase sempre gelado na região -- antes um transtorno -- é hoje bem-vindo e até cobiçado. Sinal dos novos tempos? Graças a uma brisa inesperada, dizem historiadores, Pedro Álvares Cabral desviou-se da rota para as Índias e acabou descobrindo o Brasil. Nascia um Novo Mundo. Séculos se passaram. Hoje os bons ventos reduzem a poluição no combate ao aquecimento global. E paralelamente abrem caminhos para destinos turísticos, alguns esquecidos e ainda inexplorados.

 

 

Publicado originalmente na revista Host

Há quem pague caro para relaxar sobre uma rede, sentido a brisa das montanhas ou do mar, em lugar paradisíaco. Não é de hoje que o frescor dos bons ventos -- na medida certa, claro -- é um forte aliado do turismo. Ultimamente, o “sopro” que balança a palha dos coqueiros ganhou novo valor. É fonte de energia elétrica. Em nome de um planeta mais limpo e sustentável, cataventos de até 80-100 metros de altura, já tradição faz algum tempo em paisagens européias, espalham-se no Brasil.

Além de gerar energia, potencializam atrativos turísticos. No litoral-Oeste do Ceará, parques eólicos recém-instalados mudam o cenário de praias, dunas e coqueirais, compondo novos cartões-postais. De Fortaleza para a badalada Jericoacara, o visual das torres eólicas é ponto alto no percurso offroad de 300 km pela beira do mar, oferecido por operadoras (www.jeri.tur.br). No município de Acaraú (CE), a praia Volta do Rio é reduto de pesca artesanal e tem 28 cataventos de alta performance ao lado de manguezais.

Na enseada vizinha, o vento que atrai turistas do mundo todo para a prática de windsurfe em Jericoacara também move o Parque Eólico do Morgado, que compõe um cenário de encher os olhos juntamente com extensos carnaubais. Mantenha a câmera fotográfica com bateria devidamente carregada para a hora do por do sol -- uma cena que se repete no litoral-Leste de Fortaleza, sobre dunas da Prainha e Parajuru.

No Sul do País, parques eólicos cobrem campos de altitude. É o caso do município de Água Doce (SC), com acesso por vôo regular até Chapecó e mais duas horas por estrada. Além das torres já existentes, mais 86 começarão a funcionar até maio de 2011, o que dará ao lugar o título de “capital brasileira da energia eólica”. “Essa boa imagem atrairá indústrias, negociantes e turistas”, afirma a prefeita Nelci Bortolini.

O projeto é aliar a novidade dos cataventos ao ecoturismo, porque cachoeiras naquelas bandas resistiram à derrubada da floresta e suas araucárias. O lugar é antiga rota de tropeiros na condução de gado e transporte de mercadorias entre o Sul e o restante do país. Mas, no Norte catarinense, o destaque é a tradição dos imigrantes italianos, expressa na cultura e gastronomia. Nos arredores de Água Doce, a vinícola Villagio Grando mantém estrutura para visitação de parreirais e degustação de vinhos premiados, com vista panorâmica para um exuberante lago entre colinas. No alto de uma delas, um mirante permite avistar as torres eólicas na paisagem ao longe.

Diante dos benefícios, o vento constante e quase sempre gelado na região -- antes um transtorno -- é hoje bem-vindo e até cobiçado. Sinal dos novos tempos? Graças a uma brisa inesperada, dizem historiadores, Pedro Álvares Cabral desviou-se da rota para as Índias e acabou descobrindo o Brasil. Nascia um Novo Mundo. Séculos se passaram. Hoje os bons ventos reduzem a poluição no combate ao aquecimento global. E paralelamente abrem caminhos para destinos turísticos, alguns esquecidos e ainda inexplorados.

Publicado originalmente na revista Host

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