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Chã-Grande (PE) - Muito alem da cachaça

Engenho dissemina boas práticas em Pernambuc

· Pernambuco

Dizem as más línguas que em Pernambuco há dois rios – o Beberibe e o Capibaribe – que se juntam para formar o Oceano Atlântico. Brincadeiras à parte, nada mais natural para quem vive na terra de Chico Science e Luiz Gonzaga ter um ego avantajado diante de tantas belezas naturais e tradições culturais. Desta forma, motivos de orgulho não faltam quando o assunto é o ciclo da cana-de-açúcar. E o exemplo vem dos arredores de Chã Grande (PE), a 85 Km do Recife, onde a placa retrata a autoestima pelo pioneirismo: “Bem-vindo ao primeiro engenho do Brasil movido a energia solar”.

No local é produzida a Sanhaçu – “primeira cachaça orgânica certificada de Pernambuco”. Na entrada da propriedade, além de produtos agroecológicos, o showroom reúne ícones daquele alambique, com destaque para a premiada cachaça envelhecida em barris de umburana, aromática madeira típica de regiões tropicais. Em 2016, o engenho produziu 20 mil litros das diferentes versões e o projeto é dobrar até 2020, com metade do faturamento relativa ao mercado externo. “O ICV Global nos mostrou a necessidade de achar caminhos para ganho de escala”, afirma o empresário Oto Barreto.

Para avançar lá fora, os diferenciais vão além da qualidade e paladar da cachaça. “O foco é no engenho como um todo, vitrine de práticas ambientais e educativas, inclusive envolvendo o consumo consciente da bebida”, revela Barreto. Na rota da BR 232, que liga Recife a Caruaru e diversas cidades do agreste pernambucano, as instalações da Sanhaçu acolhem cerca de 8 mil visitantes por ano e hoje tanto o turismo rural como o pedagógico já correspondem a um terço do faturamento da empresa, no total de R$ 360 mil ao ano. Cada turista paga taxa de R$12 com direito a degustação para os maiores de 18 anos e visita à fábrica e canaviais.

Do aproveitamento de resíduos agroindustriais como combustível das caldeiras, adubo e fertilizante aos cuidados com a água, o engenho funciona como laboratório a céu aberto. Nas trilhas da agrofloresta, o ambiente úmido e fresco atrai diversos pássaros, e tudo ali demostra o que está por trás do produto final. “É preciso ver a cachaça com outros olhos”.

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