Return to site

Macapá / Corumbá - Canhões dos tempos modernos

 

Símbolos de poder e força no passado, fortalezas brasileiras são revitalizadas, organizam atrativos e se abrem para o turismo

A imagem é de cartão-postal. No cenário a beira-mar onde os colonizadores fundaram a primeira capital do Brasil, destaca-se o Mercado Modelo e seus mil e um quitutes e mandingas da Bahia. Logo à frente, está o imponente Elevador Lacerda, ligando a parte baixa da cidade ao topo do altiplano urbano, onde se localiza a Praça Thomé de Souza, a primeira criada do país, cercada de palácios históricos. O cheirinho do acarajé exala nas esquinas. Ali do alto avista-se a Baía de Todos os Santos e um movimento que nos últimos meses vem chamando a atenção -- o vaivém de um barco, o “Só Alegria”, que mais parece uma gôndola e leva turistas para uma ilhota de pedra que reluz como novidade naquelas águas verdes e mansas. Neste ponto, a 300 metros da costa, se localiza o Forte São Marcelo. Erguida no século 17 sobre um banco de areia no mar para defender Salvador das invasões holandesas, a fortificação -- após longo período de abandono -- encontra hoje uma nova vocação: o turismo.

O ponto de partida foi a revitalização do monumento, iniciada em setembro de 2005. Da reforma das instalações elétricas ao jateamento de toda a estrutura de pedra para retirar fungos que atraem as indesejáveis baratas do mar, o forte também ganhou novas portas e janelas, pintura e equipamentos avançados que transformaram as antigas dependências militares em modernas salas de exposição. Ao invés de armas, nesses espaços há hoje painéis interativos que contam a história da fortaleza e reconstituem, através de simulação, as antigas viagens dos navegadores pela Baía de Todos os Santos.

Os antigos alojamentos dos soldados deram lugar ao Bucaneiros, um restaurante de charme, situado em meio ao mar à frente da parte mais antiga da cidade. O acesso, inclusive à noite, se dá mediante uma rápida travessia em barco. Decorado com mapas históricos e réplicas de equipamentos de navegação, o restaurante temático e seu menu contemporâneo, empreendimento do arquiteto Alfredo Gama e do administrador Ascânio Pepe, ganharam destaque no roteiro gastronômico da cidade.

“O projeto mostra que, se bem explorado, o legado dos fortes tem grande potencial turístico”, afirma o coronel Anésio Ferreira Leite, presidente da Associação Brasileira dos Amigos de Fortificações Militares e Sítios Históricos, organização não-governamental que luta para dar nova vida a esses monumentos. Após longa negociação com o governo federal, a entidade ganhou o Forte São Marcelo para administrar. “Queríamos pintar e bordar”, conta o coronel Leite, satisfeito com os resultados alcançados. Em 2006, o lugar recebeu 50 mil visitantes e a estimativa é chegar a 100 mil no próximo ano. Para isso, com apoio da prefeitura de Salvador e da iniciativa privada, a reforma transformou antigas estruturas de defesa em espaços para eventos. Uma das atrações é o anel perimetral, construído em 1812 para aumentar o poder de artilharia do forte, depois que a Família Real chegou ao Brasil e temia uma invasão de Napoleão Bonaparte em terras brasileiras.

Após a restauração, ao custo total de R$ 2,6 milhões, o São Marcelo é agora um novo produto oferecido pelas agências de receptivo no circuito de visitação turística ao Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, e suas imediações. E novos projetos pairam no ar. Pretende-se agora reinstalar alguns dos velhos canhões para resgatar uma antiga tradição do forte, que no século XIX funcionava como relógio da cidade. Disparava tiros às 4h da manhã, para acordar os moradores, e às 9h da noite, como toque de recolher. “Nos tempos modernos, é claro que os horários seriam bem diferentes”, brinca o coronel Leite. “A idéia é chamar a atenção dos turistas que visitam a região e organizar uma cerimônia marcial com soldados vestidos a caráter”.

Fortalezas se integram à cadeia do turismo

Dono de um território com dimensões continentais, o Brasil abriga um grande número de fortalezas militares. No total, são mais de 300. Ao longo da história, tiveram importante papel de defesa -- tanto na selva, para garantir a posse e a soberania nas fronteiras mais distantes, como no litoral, freqüentemente ameaçado por incursões de corsários e piratas que cobiçavam as riquezas do país. Compõem, desta maneira, um acervo rico em histórias e cenários deslumbrantes, um tesouro antes exclusivo dos militares, que agora escancara as portões para os forasteiros. Em nota oficial, assinada pelo Centro de Comunicação do Exército, os militares explicam: “A evolução das táticas de guerra e dos armamentos tornou as fortificações obsoletas, mas, a partir de 1990, o Exército sabiamente voltou-se para a questão do novo uso dessas instalações, assegurando a sua posse e conservação, sem desvinculá-las do passado”.

Estrategicamente localizados em pontos do litoral de extrema beleza, os fortes têm um valioso potencial turístico – e começam a se preparar para aproveitá-lo, gerando oportunidades de investimento em produtos originais e diferenciados. É o caso das fortalezas que pontilham a Ilha de Santa Catarina e seus arredores, especialmente a de Santa Cruz de Anhatomirim. Revitalizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que hoje é responsável pelo patrimônio e mantém uma base de pesquisas no local, a fortaleza se transformou numa das mais concorridas atrações turísticas da região. Em 1984, quando se abriu à visitação pública, o lugar recebeu 3 mil turistas. Em 2006, já foram 120 mil. A maioria deles desembarca na fortaleza, situada sobre uma ilha na Baía de Anhatomirim, durante circuitos de turismo náutico em águas cristalinas que incluem também a observação de golfinhos.

E assim se formaram novos elos na cadeia do turismo. “A reforma da fortaleza criou oportunidades e diversas operadoras náuticas começaram a atuar no mercado”, conta Joi Alves, diretor do projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, da UFSC. Hoje cerca de 15 empresas oferecem passeios de escuna com diferentes roteiros, gerando mais de 400 empregos. A mais antiga delas, a Scuna Sul, criada pelo empresário argentino Ricardo Carabelli, amante dos esportes a vela, tem nove embarcações e atende no verão perto de 7 mil turistas por mês.

No percurso, além dos banhos de mar, o visitante tem a oportunidade de conhecer um pouco de História – fatos nem sempre contados nas salas de aula ou nos livros escolares. A fortaleza de Anhatomirim, por exemplo, era ponto-chave de um complexo de defesa instalado pelos portugueses para o domínio dos territórios em disputa com a Espanha, no Sul do país. No rastro do aparato militar, a partir de 1748 chegaram à região 6.500 imigrantes açorianos, com objetivo de povoar e marcar maior presença de Portugal naquelas terras, herança que marcou as tradições culturais de Santa Catarina. Histórias deste tipo fazem o sucesso desses roteiros. E inspiram novas melhorias na estrutura da fortaleza. Para o próximo ano, o projeto é concluir a restauração da antiga Casa de Telegrafia, usada no passado com fins militares, transformando-a em pousada para 45 hóspedes.

Mobilização no litoral de São Paulo

Em outras regiões do país, como no litoral de São Paulo, novos projetos estão prontos para sair do papel. O centro das atenções é a Baixada Santista, que foi um dos pontos da costa brasileira mais protegidos por fortificações militares no passado. Algumas delas, construídas para defender o porto de Santos contra o ataque de piratas, compõem hoje o Circuito dos Fortes. Lançado há três anos pelo governo do estado, o projeto acabou não recebendo as adesões necessárias para decolar e agora está sendo reavaliado para ganhar novo impulso. “Vamos caminhar novamente com toda a velocidade, investindo na divulgação e mobilizando o receptivo”, promete Rubens Lara, diretor executivo da Agência Metropolitana da Baixada Santista, ligada ao governo estadual.

“Trata-se de um potencial ainda pouco explorado”, admite Lúcia Pires Valente, proprietária da agência Harpyia, de Santos, que tem parceria com outras operadoras, como a Freeway, para trabalhar esse produto com grupos fechados. “Navegar para avistar fortes entre o estuário do Porto de Santos e o canal de Bertioga, que separa a ilha de Santo Amaro do continente, é uma viagem de rara beleza”, garante Lúcia.

Das oito fortalezas existentes na região, algumas continuam de uso exclusivamente militar e têm acesso restrito, como o Forte dos Andradas, localizado na paradisíaca praia do Tombo, no município do Guarujá, reservada para o veraneio do Presidente da República. Quatro delas estão preparadas para receber visitantes, a exemplo do Forte São João em Bertioga, o primeiro construído no país, em 1551, emoldurado pelo o mar à frente e uma robusta Mata Atlântica ao fundo. Entre os mais procurados, está o forte de Santo Amaro da Barra Grande, no Guarujá, erguido em 1584 para proteger a rota de embarcações comerciais. Após décadas de abandono, nas quais teve madeiras, telhas e tijolos saqueados, o prédio foi restaurado, ganhando salas para múltiplo uso. Nos novos espaços, visitados por 15 mil turistas ao ano, a Universidade Católica de Santos realiza atividades culturais e cursos de garçom e guia para jovens do bairro vizinho de Santa Cruz dos Navegantes.

Visitação turística gera renda para a preservação

Barra Grande é uma das 26 fortalezas tombadas pelo patrimônio histórico no país. “O uso turístico ajuda na conservação”, afirma Cyro Correa Lyra, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Incluídos nessa lista, os monumentos têm mais acesso a verbas e projetos técnicos para restauração. Mais que isso: revitalizados, se integram ao turismo, que por sua vez gera recursos para novos investimentos em melhorias. Na Paraíba, a Fortaleza de Santa Catarina, do século XVI, que hoje recebe 35 mil turistas por ano, foi restaurada e agora é protegida com apoio das comunidades do entorno. Jovens da vizinhança usam os antigos espaços militares para aprender música de câmara e danças da cultura popular, como o coco e a ciranda.

No estado vizinho, o Rio Grande do Norte, a Fortaleza dos Reis Magos, o mais famoso cartão-postal da capital, Natal, consumiu recentemente R$ 600 mil para trocar instalações elétricas, impermeabilizar o telhado e ganhar nova pintura e iluminação. Erguida no século XVI contra a ameaça dos corsários franceses que traficavam pau-brasil, a fortificação -- tombada como patrimônio histórico em 1949 -- guarda o Marco de Touros, o primeiro a dar posse da terra brasileira aos portugueses. De cara nova, o forte contabiliza benefícios. Para o turismo, as previsões são otimistas, ainda mais agora, quando o governo estadual está construindo uma ponte sobre a foz do rio Potengi, próximo à fortificação, para aumentar o fluxo de turistas rumo às praias do litoral-norte do estado.

De igual modo, às margens do rio Paraguai, no Mato Grosso do Sul, o forte Coimbra, que cruzou fogo na vitória brasileira contra os paraguaios na guerra de 1864, ganhou neste ano R$ 90 mil para ser revitalizado. O projeto é transformá-lo em opção turística para quem visita o Pantanal – de Corumbá, chega-se ao monumento navegando três horas em lancha “voadeira”.

Amazônia ganha novo atrativo

As iniciativas se multiplicam Brasil afora. As fortalezas, mesmo em ruínas e situadas em locais de difícil acesso, inspiram também roteiros de ecoturismo, como acontece em Rondônia, com o forte Príncipe da Beira, na divisa com a Bolívia em plena selva. “A partir do foco histórico envolvendo a defesa militar do lugar, os guias falam sobre a importância de outro tipo de proteção, a ecológica”, afirma José Zuquim, diretor da Ambiental Expedições. Ele lembra a importância que têm, neste contexto, as ruínas do Forte de Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha.

Em Macapá (AP), no extremo-norte da Amazônia, o forte São José merece destaque especial. Após a restauração, a gigantesca estrutura em ótimo estado de conservação passou a disputar o título de principal ponto turístico com o monumento que marca a passagem da Linha do Equador na cidade. A revitalização incluiu curiosidades. Uma delas foi a instalação de placas que contam a história do forte e explicam seus sistemas de defesa escritas em português, francês e também em tupi – idioma falado por povos indígenas do Amapá.

Embelezado, o forte serviu de base para um amplo projeto de urbanização da zona em seu entorno, concluído recentemente às margens do rio Amazonas, o maior e mais importante do Brasil. Mais que isso, a iniciativa de Macapá mostra que a preparação de uma fortaleza para o turismo conta também com um trabalho bastante valioso: o da Arqueologia. Como suporte à reforma do São José, o governo do Amapá contratou uma equipe de arqueólogos para realizar escavações, chegando a descobertas importantes. Além de peças, como louças e materiais bélicos, hoje exibidos aos visitantes como jóias turísticas, os pesquisadores encontraram debaixo da terra as antigas muralhas da fortificação original, erguida no século XVIII para Portugal marcar o domínio sobre a Amazônia.

Em Recife, as escavações arqueológicas resgataram uma infinidade de objetos dos tempos da ocupação holandesa. Moedas, louças, cachimbos e até o esqueleto de um soldado que combateu na Guerra dos Guararapes, derrocada final dos holandeses em Pernambuco no século XVII, fazem parte do acervo do Forte do Brum. O local tem visitação guiada e um restaurante freqüentado por executivos que trabalham no bairro do Recife Antigo.

Diante desse potencial, o arqueólogo Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco, especializado em fortificações e coordenador dos trabalhos em Macapá, pergunta: “por que o Brasil ainda não tem um circuito organizado para visitação de fortalezas de norte a sul do país”? Nesse roteiro, argumenta Albuquerque, além dos aspectos históricos e culturais, o turista estaria simultaneamente adentrando em selva, avistando oceano, fazendo passeios de barco e degustando frutos do mar”. Ele lembra que modelos assim são sucesso em outros países, como a Turquia e a Holanda, onde os roteiros de fortes inclui também a observação dos sistemas de diques e dos tradicionais moinhos de vento.

Novos roteiros no Rio de Janeiro

A Baía de Guanabara, por exemplo, reduto de batalhas heróicas no passado, é cenário propício a experiências deste tipo. E as iniciativas começam a pipocar. Encravado entre o Pão de Açúcar e o Cara de Cão, morros que compõem uma das imagens mais conhecidas do Rio de Janeiro e do Brasil, o Forte São José – de 1578, o terceiro mais antigo do país -- é atualmente palco de um detalhado projeto de restauração. Além do restauro dos canhões do século XIX, alguns dos quais resgatados recentemente por pesquisadores no fundo do mar, a obra recuperou a arquitetura original e instalou nova iluminação para permitir a visitação noturna. O objetivo é transformar a Fortaleza de São João, dentro do qual o São José está localizado ao lado de três pequenos fortins, em um complexo turístico-cultural. Entre as principais atrações, está a praça que marca o local exato da fundação da cidade por Estácio de Sá, em 1565.

No outro lado da Baía, em Niterói, a Fortaleza de Santa Cruz chegou a ser uma das mais temidas e poderosas do país. Construída pelos invasores franceses em 1555, foi tomada pelos portugueses dois anos depois. Graças a ela, o Rio de Janeiro se livrou das incursões de esquadras holandesas e dos constantes ataques ingleses aos navios de bandeira nacional. Hoje com seus 145 canhões de grosso calibre aposentados, a fortaleza e suas gigantescas muralhas, situadas sobre um estratégico pontilhão rochoso a beira mar, é destaque do circuito cultural da cidade, sendo visitada por 5 mil turistas ao mês. O percurso, realizado por uma linha de ônibus circular mantido pela prefeitura, inclui entre os sete pontos de visitação o famoso Museu de Arte Contemporânea, projeto do arquiteto Oscar Niemayer, e outras fortificações importantes.

“O projeto agora, em análise pelo Ministério do Turismo, é investir R$ 2 milhões na construção de oito atracadouros para receber barcos com turistas em pontos estratégicos na Baía de Guanabara, incluindo os fortes”, informa José Haddad, presidente da Niterói Empresa de Lazer e Turismo, ligada à prefeitura. As fortalezas, segundo ele, se integram ao turismo de sol e mar como uma opção cultural. E assim a antiga diplomacia dos canhões que repelia inimigos em tempos de guerra cede lugar para uma nova lógica, a do turismo, que atrai amigos em tempo de paz.

BOX - Forte Copacabana é modelo nacional

Quem trabalha na preparação de uma fortaleza para o turismo costuma dizer que a tarefa exige algo importante: construir um elo seguro entre um passado quase sempre heróico e glorioso e um futuro que se anuncia promissor. Com essa filosofia, o Forte Copacabana, no Rio de Janeiro, bateu em 2006 a marca dos 200 mil visitantes e planeja atingir novo recorde neste ano. Até julho, o local já tinha registrado 78% mais turistas em relação ao mesmo período do ano passado. Vários fatores contribuem para esses números: a localização privilegiada, entre a as praias de Copacabana e Ipanema; o fluxo crescente de turistas estrangeiros que procuram a capital carioca e a realização de eventos importantes na cidade, como os recentes Jogos Panamericanos, são algumas explicações. Mas nada disso poderia influenciar as estatísticas não fosse a existência de um outro fator-chave: o capricho na organização dos atrativos turísticos da fortificação.

Inaugurado em 1914, o Forte Copacabana fazia parte, junto com as fortalezas de São João, também no Rio de Janeiro, e de Santa Cruz, em Niterói, de um sistema bélico idealizado para blindar a capital carioca contra a invasão de inimigos. Com 114 mil metros de área, protegido na parte central por uma enorme casamata, abrigo coberto de até 12 metros de espessura, a estrutura se destaca pela imponência. Os dois potentes canhões, antigamente capazes de atingir alvos a 23 quilômetros de distância, continuam ali. Mas agora suas funções são de paz. As galerias, antes intransponíveis para os civis, estão hoje abertas ao público. O cenário subterrâneo, com as antigas salas de comando e de cálculo dos tiros, alojamentos, máquinas hidráulicas e depósito de armas e explosivos, foi reconstituído com peças originais para transmitir ao visitante um pouco da realidade do passado. Fora dali, o turista tem acesso à ampla área externa com vista para o mar e as praias e ao Museu Histórico do Exército, que guarda peças valiosas da história militar.

“Nossos canhões atiram hoje cultura e civismo”, afirma o coronel Edson Silva de Oliveira, comandante da fortificação que se abre à modernidade. Além de salas de exposição que exibem mostras permanentes e temporárias, espaços para feiras e eventos e loja de suvenir com qualidade de grife, o lugar abriga atrativos que fazem a diferença. Um deles é a Confeitaria Colombo, uma das mais antigas e tradicionais casas de chá do país, que em 2003 instalou ali uma filial, tendo à frente o visual de toda a orla de Copacabana. O sorriso cordial e o bom humor, importantes no atendimento aos turistas, substituíram a sisudez militar.

Nesse processo, soldados que antes manejavam armas e simulavam operações de guerra, aprendem hoje a lidar com turistas. São capacitados a falar línguas, trabalhar como garçons e recuperar obras de arte na oficina de restauração instalada na fortificação. Após o tempo de serviço militar, a maioria tem emprego garantido na cadeia do turismo. “Agora trabalho como tradutor em eventos e ensino inglês em cursos”, conta o carioca Rodrigo Alves de Lima, 19 anos. A partir da experiência no forte, na qual pôde praticar o inglês, relacionar-se com estrangeiros deixou de ser um bicho de sete cabeças: “Durante os Pan 2007, fui contratado via convênio com hotéis para ensinar português básico para estrangeiros”, conta o rapaz.

BOX – Ruínas inspiram ecoturismo

A sensação de mistério dá cores especiais ao potencial turístico das fortalezas, mesmo daquelas que estão em ruínas. Em Fernando de Noronha, as estruturas que restaram do Forte de Nossa Senhora dos Remédios, que começou a ser construído pelos holandeses em 1630, são atrações de passeios culturais. No final do século XVIII, o arquipélago em seus 26 quilômetros quadrados era protegido por dez fortificações fortemente guarnecidas e armadas. O motivo: o lugar era o primeiro pedaço de terra firme que os navegadores europeus encontravam após a travessia do Atlântico. Desde que foi descoberto, em 1503, por Américo Vespúcio, Fernando de Noronha passou a ser cobiçada.

“A partir do foco histórico, abordando como aquele lugar paradisíaco era protegido contra os antigos invasores, os guias falam sobre questões ambientais, como a importância da sustentabilidade e da preservação da ilha”, revela José Zuquim, diretor da Ambiental Expedições. Longe dali, em meio à floresta amazônica na fronteira de Rondônia com a Bolívia, o Iphan realiza obras para escorar as muralhas do forte Príncipe da Beira, abandonado ao tempo. As ruínas dão asas à imaginação para quem gosta de aventura: o percurso até lá envolve horas de navegação pelo rio Guaporé ou uma dura viagem de 900 km em estradas enlameadas, opção de ecoturismo oferecida pela agência Amazônia Adventure.

h text here.

All Posts
×

Almost done…

We just sent you an email. Please click the link in the email to confirm your subscription!

OKSubscriptions powered by Strikingly