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Macapá - Floresta Preservada

Amapá guarda tesouros naturais de grande potencial para a exploração sustentável

Quando o assunto é a conservação da natureza, o extremo-norte do Brasil é uma região privilegiada. Com 72% do território coberto por áreas protegidas, como parques nacionais, terras indígenas e reservas ecológicas e extrativistas, entre outras criadas pelo governo federal e estadual, o Amapá é o Estado mais preservado do país. Abriga um variado mosaico de paisagens naturais, habitadas por uma biodiversidade que só agora começa a ser conhecida pela ciência. O título representa a opção por manter a floresta em pé. E não é apenas uma questão de orgulho. Ao restringir atividades de sustento que impliquem na derrubada de árvores, a estratégia da preservação lança atualmente para os amapaenses um desafio: criar as condições para utilizar esse tesouro florestal como motor do desenvolvimento econômico e de maior justiça social, gerando renda e proporcionando um futuro mais promissor para a população.

O potencial é grande. Nesta imensidão verde que escapou das agressões humanas ao longo da história, os recursos naturais -- base desse novo modelo de desenvolvimento -- são fartos. A riqueza é resultante das condições geográficas favoráveis do Estado, localizado na descida do Platô das Guianas. Essa elevação no relevo continental, que se estende pelo norte da América do Sul, envolvendo os territórios da Guiana, Suriname e Guiana Francesa, funciona como um grande nascedouro de águas. Nesta cordilheira nascem vários afluentes do rio Amazonas e dos principais mananciais que banham o Amapá, a exemplo do rio Jarí, na divisa com o Pará, onde se localiza a exuberante cachoeira de Santo Antônio. Já o rio Araguari, é famoso pelas pororocas e suas ondas perfeitas que atraem turistas e surfistas de várias partes do país e do mundo.

A fartura de rios caudalosos é também alimentada pelas chuvas torrenciais que caem na região, provocadas pela precipitação de nuvens de vapor levadas pelos ventos do Oceano Atlântico para o continente. A água abundante e a luz intensa da região tropical cortada pela Linha do Equador aceleram o metabolismo da fauna e da flora e criam condições ideais para a multiplicação da vida. O vaivém das marés alta e baixa, que nesta parte do Brasil se alternam com maior freqüência, aumenta o aporte de matéria orgânica e alimentos na natureza, contribuindo para a diversidade de espécies e também de paisagens. Além das florestas densas de terra-firme, existem no Amapá florestas de várzea, pântanos de água doce e salgada, zonas de Cerrado e uma extensa faixa de manguezais bem preservados ao longo da costa oceânica.

Neste rico cenário ecológico, está sendo implantado o Corredor de Biodiversidade do Amapá, o maior do país, com 10 milhões de hectares, no qual são desenvolvidos projetos para interligar as diversas unidades de conservação mediante a criação de faixas verdes entre elas. Ao aumentar os espaços de floresta contínua, o objetivo é promover o maior fluxo genético entre as espécies, mantendo o equilíbrio ecológico. Na primeira etapa de estruturação do corredor, o governo estadual apoiou em 2006 uma série de cinco expedições científicas para identificar espécies e avaliar a riqueza da biodiversidade das áreas mais importantes, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque -- o maior parque de floresta tropical do mundo, com mais de 3,8 milhões de hectares, área superior à da Bélgica.

As viagens na floresta, que incluíram também o Parque Nacional do Cabo Orange, tiveram a participação de organizações internacionais, como o WWF e a Conservação Internacional, além do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá, entre outros. Além de novas espécies exclusivas do Amapá, os cientistas descobriram animais raros, como o lagarto Amapasaurus tetradactylus, que há 35 anos não era encontrado na região. Os dados biológicos serão anexados aos sociais e econômicos para planejar o uso adequado das áreas protegidas do corredor. Neste trabalho, as comunidades extrativistas são incentivadas a aproveitar economicamente os recursos naturais sem destruir o ambiente. Mais valorizada, a floresta pode servir como escudo contra o desmatamento. Com essa intenção, o governo estadual criou em 2006 a Floresta Estadual do Amapá, uma gigantesca área de 2,3 milhões de hectares, destinada à produção florestal por meio de técnicas sustentáveis. A meta é tornar o Estado o maior produtor nacional de madeira certificada, com extração de 50 mil metros cúbicos de toras por ano.

 

 

Legados da pré-história

Achados arqueológicos mostram como os primeiros homens ocuparam a Amazônia

 

Arqueólogos do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) descobriram em 2006 no município de Calçoene, a 390 Km da capital, os vestígios de uma edificação em pedra que pode ter sido utilizada como um observatório astronômico pelos antigos habitantes das Américas. O monumento megalítico -- 127 blocos de pedra talhados, fincados no solo e arranjados em círculo -- se tornou visível depois que um produtor rural derrubou a floresta para plantar pasto. O achado impressionou os cientistas, porque pode contribuir para mudar as teorias já formuladas para explicar a ocupação da região pelos homens primitivos.

De acordo com os arqueólogos, um monumento com aquelas características só poderia ter sido construído por uma sociedade complexa, com uso de mão de obra massiva e conhecimento especializado sobre a observação de fenômenos celestes, principalmente o solstício de inverno. Isso vem de encontro com as teorias tradicionais, segundo as quais a Amazônia teria sido ocupada por grupos mais simples, pouco populosos e de pobre expressão cultural. Para resolver o “quebra-cabeça”, os arqueólogos escavaram a região em busca de novas peças. Encontraram cerâmicas, ossos humanos e restos orgânicos que foram encaminhados para datação. A fazenda onde se localiza o sítio arqueológico foi desapropriada pelo governo estadual e transformada no Parque Arqueológico do Solstício, passando a abrigar uma base de pesquisas do Iepa.

O Amapá é um campo promissor para descobertas arqueológicas, herança das populações pré-históricas que ocuparam inicialmente as zonas mais planas e férteis, próximas aos rios. Os vestígios indicam que as culturas arqueológicas da região surgiram no tempo de Jesus Cristo e se extinguiram pouco depois do descobrimento do Brasil. No século 19, esse potencial começou a ser explorado pelo arqueólogo Domingos Ferreira Penna, que descobriu um sítio arqueológico nas margens do rio Maracá, a 130 Km de Macapá, contendo urnas funerárias com a forma do corpo humano. Muitos outros vestígios foram achados na região ao longo das décadas, até 1996. No Norte do Estado, destaca-se a localidade de Cunani, pesquisada pela primeira vez em 1895 por Emílio Goeldi, cientista suíço radicado no Pará, que descobriu no local jarros, bandejas, moringas e outras peças decoradas com diversos motivos geométricos.

 

 

Em busca das cidades perdidas

Floresta guarda marcos das disputas pela Região Amazônica

 

Por conta de sua localização estratégica, na foz do rio Amazonas, porta de entrada para a floresta cheia de riquezas, o Amapá teve papel de destaque na proteção do território brasileiro contra a ação de piratas e invasores ingleses, holandeses e franceses que cobiçavam tomar posse da região em busca de ouro, madeira e outras mercadorias. A localidade de Mazagão Velho é um marco da saga dos primeiros colonizadores que chegaram à Amazônia para defendê-la. Nela, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) convocados pelo governo estadual, encontraram sob o chão da floresta as ruínas da igreja que ali existia no século 18.

O povoado foi construído em 1770 na selva por imigrantes que viviam na cidade de Mazagão, no Marrocos, norte da África, também de colonização portuguesa, da qual precisaram fugir em massa após o ataque dos mouros. A nova vila prosperou, mas depois de inúmeras epidemias foi abandonada e soterrada pelo tempo. Os arqueológicos também encontraram no município de Santana as ruínas de outra cidade soterrada na floresta: Vila Vistoza da Madre de Deus, erguida em 1767.

A construção de cidades na floresta era uma política de Marquês de Pombal para ocupar a região e fazer frente aos inimigos. Nesta tarefa de defesa do território brasileiro, destaca-se a Fortaleza de São José, construída em 1782 à beira do rio Amazonas em Macapá. Robusto e de grandes dimensões, o forte tinha o propósito de se tornar um reduto intransponível. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o prédio teve se entorno revitalizado por meio de um projeto de urbanização.

A história das disputas pelo território no Amapá vai além. No norte do Estado, a vila de Cunani, município de Calçoene, preserva as histórias dos tempos em que a região, entre 1841 e 1900, era zona neutra entre Brasil e França -- o chamado Contestado Franco-Brasileiro. Aquela parte território amapaense era foco de batalhas sangrentas por conta da disputa pelas jazidas de ouro. Cunani, centro dos conflitos, hoje uma comunidade descendente de uma antigo quilombo, chegou a ser declarada uma república independente com bandeira e até moeda próprias.

Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, o Amapá voltou a se destacar pela posição geográfica estratégica, ao abrigar uma base militar americana, na cidade de Amapá. As ruínas das antigas estruturas, que serviam à vigilância daquela parte do Atlântico pelas forças aliadas, estão lá até hoje, abertas para visitação.

Quando o assunto é a conservação da natureza, o extremo-norte do Brasil é uma região privilegiada. Com 72% do território coberto por áreas protegidas, como parques nacionais, terras indígenas e reservas ecológicas e extrativistas, entre outras criadas pelo governo federal e estadual, o Amapá é o Estado mais preservado do país. Abriga um variado mosaico de paisagens naturais, habitadas por uma biodiversidade que só agora começa a ser conhecida pela ciência. O título representa a opção por manter a floresta em pé. E não é apenas uma questão de orgulho. Ao restringir atividades de sustento que impliquem na derrubada de árvores, a estratégia da preservação lança atualmente para os amapaenses um desafio: criar as condições para utilizar esse tesouro florestal como motor do desenvolvimento econômico e de maior justiça social, gerando renda e proporcionando um futuro mais promissor para a população.

O potencial é grande. Nesta imensidão verde que escapou das agressões humanas ao longo da história, os recursos naturais -- base desse novo modelo de desenvolvimento -- são fartos. A riqueza é resultante das condições geográficas favoráveis do Estado, localizado na descida do Platô das Guianas. Essa elevação no relevo continental, que se estende pelo norte da América do Sul, envolvendo os territórios da Guiana, Suriname e Guiana Francesa, funciona como um grande nascedouro de águas. Nesta cordilheira nascem vários afluentes do rio Amazonas e dos principais mananciais que banham o Amapá, a exemplo do rio Jarí, na divisa com o Pará, onde se localiza a exuberante cachoeira de Santo Antônio. Já o rio Araguari, é famoso pelas pororocas e suas ondas perfeitas que atraem turistas e surfistas de várias partes do país e do mundo.

A fartura de rios caudalosos é também alimentada pelas chuvas torrenciais que caem na região, provocadas pela precipitação de nuvens de vapor levadas pelos ventos do Oceano Atlântico para o continente. A água abundante e a luz intensa da região tropical cortada pela Linha do Equador aceleram o metabolismo da fauna e da flora e criam condições ideais para a multiplicação da vida. O vaivém das marés alta e baixa, que nesta parte do Brasil se alternam com maior freqüência, aumenta o aporte de matéria orgânica e alimentos na natureza, contribuindo para a diversidade de espécies e também de paisagens. Além das florestas densas de terra-firme, existem no Amapá florestas de várzea, pântanos de água doce e salgada, zonas de Cerrado e uma extensa faixa de manguezais bem preservados ao longo da costa oceânica.

Neste rico cenário ecológico, está sendo implantado o Corredor de Biodiversidade do Amapá, o maior do país, com 10 milhões de hectares, no qual são desenvolvidos projetos para interligar as diversas unidades de conservação mediante a criação de faixas verdes entre elas. Ao aumentar os espaços de floresta contínua, o objetivo é promover o maior fluxo genético entre as espécies, mantendo o equilíbrio ecológico. Na primeira etapa de estruturação do corredor, o governo estadual apoiou em 2006 uma série de cinco expedições científicas para identificar espécies e avaliar a riqueza da biodiversidade das áreas mais importantes, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque -- o maior parque de floresta tropical do mundo, com mais de 3,8 milhões de hectares, área superior à da Bélgica.

As viagens na floresta, que incluíram também o Parque Nacional do Cabo Orange, tiveram a participação de organizações internacionais, como o WWF e a Conservação Internacional, além do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá, entre outros. Além de novas espécies exclusivas do Amapá, os cientistas descobriram animais raros, como o lagarto Amapasaurus tetradactylus, que há 35 anos não era encontrado na região. Os dados biológicos serão anexados aos sociais e econômicos para planejar o uso adequado das áreas protegidas do corredor. Neste trabalho, as comunidades extrativistas são incentivadas a aproveitar economicamente os recursos naturais sem destruir o ambiente. Mais valorizada, a floresta pode servir como escudo contra o desmatamento. Com essa intenção, o governo estadual criou em 2006 a Floresta Estadual do Amapá, uma gigantesca área de 2,3 milhões de hectares, destinada à produção florestal por meio de técnicas sustentáveis. A meta é tornar o Estado o maior produtor nacional de madeira certificada, com extração de 50 mil metros cúbicos de toras por ano.

Legados da pré-história

Achados arqueológicos mostram como os primeiros homens ocuparam a Amazônia

Arqueólogos do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) descobriram em 2006 no município de Calçoene, a 390 Km da capital, os vestígios de uma edificação em pedra que pode ter sido utilizada como um observatório astronômico pelos antigos habitantes das Américas. O monumento megalítico -- 127 blocos de pedra talhados, fincados no solo e arranjados em círculo -- se tornou visível depois que um produtor rural derrubou a floresta para plantar pasto. O achado impressionou os cientistas, porque pode contribuir para mudar as teorias já formuladas para explicar a ocupação da região pelos homens primitivos.

De acordo com os arqueólogos, um monumento com aquelas características só poderia ter sido construído por uma sociedade complexa, com uso de mão de obra massiva e conhecimento especializado sobre a observação de fenômenos celestes, principalmente o solstício de inverno. Isso vem de encontro com as teorias tradicionais, segundo as quais a Amazônia teria sido ocupada por grupos mais simples, pouco populosos e de pobre expressão cultural. Para resolver o “quebra-cabeça”, os arqueólogos escavaram a região em busca de novas peças. Encontraram cerâmicas, ossos humanos e restos orgânicos que foram encaminhados para datação. A fazenda onde se localiza o sítio arqueológico foi desapropriada pelo governo estadual e transformada no Parque Arqueológico do Solstício, passando a abrigar uma base de pesquisas do Iepa.

O Amapá é um campo promissor para descobertas arqueológicas, herança das populações pré-históricas que ocuparam inicialmente as zonas mais planas e férteis, próximas aos rios. Os vestígios indicam que as culturas arqueológicas da região surgiram no tempo de Jesus Cristo e se extinguiram pouco depois do descobrimento do Brasil. No século 19, esse potencial começou a ser explorado pelo arqueólogo Domingos Ferreira Penna, que descobriu um sítio arqueológico nas margens do rio Maracá, a 130 Km de Macapá, contendo urnas funerárias com a forma do corpo humano. Muitos outros vestígios foram achados na região ao longo das décadas, até 1996. No Norte do Estado, destaca-se a localidade de Cunani, pesquisada pela primeira vez em 1895 por Emílio Goeldi, cientista suíço radicado no Pará, que descobriu no local jarros, bandejas, moringas e outras peças decoradas com diversos motivos geométricos.

Em busca das cidades perdidas

Floresta guarda marcos das disputas pela Região Amazônica

Por conta de sua localização estratégica, na foz do rio Amazonas, porta de entrada para a floresta cheia de riquezas, o Amapá teve papel de destaque na proteção do território brasileiro contra a ação de piratas e invasores ingleses, holandeses e franceses que cobiçavam tomar posse da região em busca de ouro, madeira e outras mercadorias. A localidade de Mazagão Velho é um marco da saga dos primeiros colonizadores que chegaram à Amazônia para defendê-la. Nela, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) convocados pelo governo estadual, encontraram sob o chão da floresta as ruínas da igreja que ali existia no século 18.

O povoado foi construído em 1770 na selva por imigrantes que viviam na cidade de Mazagão, no Marrocos, norte da África, também de colonização portuguesa, da qual precisaram fugir em massa após o ataque dos mouros. A nova vila prosperou, mas depois de inúmeras epidemias foi abandonada e soterrada pelo tempo. Os arqueológicos também encontraram no município de Santana as ruínas de outra cidade soterrada na floresta: Vila Vistoza da Madre de Deus, erguida em 1767.

A construção de cidades na floresta era uma política de Marquês de Pombal para ocupar a região e fazer frente aos inimigos. Nesta tarefa de defesa do território brasileiro, destaca-se a Fortaleza de São José, construída em 1782 à beira do rio Amazonas em Macapá. Robusto e de grandes dimensões, o forte tinha o propósito de se tornar um reduto intransponível. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o prédio teve se entorno revitalizado por meio de um projeto de urbanização.

A história das disputas pelo território no Amapá vai além. No norte do Estado, a vila de Cunani, município de Calçoene, preserva as histórias dos tempos em que a região, entre 1841 e 1900, era zona neutra entre Brasil e França -- o chamado Contestado Franco-Brasileiro. Aquela parte território amapaense era foco de batalhas sangrentas por conta da disputa pelas jazidas de ouro. Cunani, centro dos conflitos, hoje uma comunidade descendente de uma antigo quilombo, chegou a ser declarada uma república independente com bandeira e até moeda próprias.

Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, o Amapá voltou a se destacar pela posição geográfica estratégica, ao abrigar uma base militar americana, na cidade de Amapá. As ruínas das antigas estruturas, que serviam à vigilância daquela parte do Atlântico pelas forças aliadas, estão lá até hoje, abertas para visitação.

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