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Macapá - "Pororoca Florestal"

 

Amapá rompe o isolamento e se abre ao uso econômico das áreas protegidas

Por muito tempo o Amapá teve destaque nos livros escolares e nas reportagens da TV por abrigar duas atrações: o então ponto situado mais ao norte do território brasileiro, o Oiapoque, e o exotismo das pororocas – fenômeno natural que produz grandes ondas no encontro da correnteza fluvial com o Oceano Atlântico. No entanto, o Estado perdeu o reconhecimento pelo marco do extremo geográfico, depois que expedições oficiais apontaram a nascente do Rio Uailan, no Monte Caburaí, em Roraima, como o local mais ermo do Brasil acima da Linha do Equador, em 1998. E não foi só isso: mais recentemente, em 2015, a maior e mais famosa pororoca, formada na foz do rio Araguari, deixou de existir. As causas em estudo podem ter sido os impactos de usinas hidrelétricas e da criação de búfalos que pisoteiam a terra e causam erosão, diminuindo o fluxo de água, para a tristeza dos guias de ecoturismo e dos surfistas que chegavam de várias partes do mundo com o objetivo de pegar onda em plena selva amazônica.

 

 

Apesar das perdas, aquele pedaço isolado e pouco conhecido da Amazônia guarda ícones que podem fazer a diferença na busca pelo desenvolvimento econômico. E esse potencial vai além de curiosidades turísticas, como o fato de a capital, Macapá, ser cortada pela linha imaginária que divide o planeta em dois hemisférios. O “centro do mundo” é simbolizado por um marco de concreto cujo traçado linear coincide com a divisão central do campo no estádio de futebol da cidade, onde um time joga no Hemisfério Sul e, o outro, no Norte.

 

 

À margem do Rio Amazonas, que banha a cidade antes de descarregar no oceano o gigantesco volume médio de 200 milhões de litros de água por segundo, se localiza a fortaleza de São José, erguida no século XVIII para proteger a entrada da Floresta Amazônica contra invasores movidos pela cobiça de riquezas, como o ouro.

 

 

A mineração é hoje a principal atividade econômica do Amapá. No entanto, os olhares se voltam para o maior tesouro, ainda inexplorado: as florestas nativas, que cobrem 80% da área do Estado. Mais de 97% delas estão em Terras Indígenas e Unidades de Conservação – o que, até recentemente, era visto como empecilho ao progresso. A região abriga o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o maior do Brasil. Mas o potencial produtivo está na Floresta Estadual do Amapá, alvo do edital de concessão lançado no fim de 2015 para o manejo sustentável de madeira por empresas, mediante pagamento de royalties ao Estado e municípios.

 

 

“A Zona Franca Verde, recém-regulamentada por decreto federal, oferecerá incentivos fiscais para produtos fabricados com matérias primas locais”, afirma José Molinos, diretor da Agência Amapá, confiante na chegada de novos empreendedores florestais.

 

 

No projeto Gestão de Florestas do Amapá, conduzido pela organização francesa GRET, Conservação Internacional e governo estadual, 4,7 milhões de euros estão sendo aplicados em diagnósticos socioambientais e capacitação de técnicos e da sociedade civil para a tomada de decisão sobre o patrimônio natural. “Não podemos morrer pobres numa floresta tão rica”, desabafa Aurélio de Araújo, liderança comunitária em Mazagão (AP). O município esconde as ruínas de uma vila colonial erguida por volta de 1770 em plena selva para receber a população de uma cidade marroquina de colonização portuguesa em fuga da guerra contra os mouros. A localidade amapaense foi um dos cerca de 60 povoados construídos a mando do rei D. José I para consolidar as novas fronteiras do território, redefinidas pelo Tratado de Madri, em 1750.

 

 

De olho no mercado de carbono, o plano agora é promover o capital natural com instrumentos financeiros de longo prazo, menos susceptíveis a mudanças político-partidárias que atrasam projetos de desenvolvimento. A ponte sobre o Rio Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, por exemplo, está pronta há mais de quatro anos e ainda não foi inaugurada. Na rota da BR 156, que dá acesso à região, o município de Calçoene preserva um monumento circular de 127 blocos de pedra talhada, utilizado como observatório astronômico por antigas civilizações. Já na cidade de Amapá, a 226 km da capital, estão os vestígios de uma base aérea americana que operou na II Guerra Mundial. Não é de hoje que o Estado é tido como uma região estratégica, condição que agora pode ser decisiva para a produção florestal com conservação da biodiversidade.

 

 

Publicado originalmente na revista Página 22

 

 

http://pagina22.com.br/2016/04/05/pororoca-florestal/

Por muito tempo o Amapá teve destaque nos livros escolares e nas reportagens da TV por abrigar duas atrações: o então ponto situado mais ao norte do território brasileiro, o Oiapoque, e o exotismo das pororocas – fenômeno natural que produz grandes ondas no encontro da correnteza fluvial com o Oceano Atlântico. No entanto, o Estado perdeu o reconhecimento pelo marco do extremo geográfico, depois que expedições oficiais apontaram a nascente do Rio Uailan, no Monte Caburaí, em Roraima, como o local mais ermo do Brasil acima da Linha do Equador, em 1998. E não foi só isso: mais recentemente, em 2015, a maior e mais famosa pororoca, formada na foz do rio Araguari, deixou de existir. As causas em estudo podem ter sido os impactos de usinas hidrelétricas e da criação de búfalos que pisoteiam a terra e causam erosão, diminuindo o fluxo de água, para a tristeza dos guias de ecoturismo e dos surfistas que chegavam de várias partes do mundo com o objetivo de pegar onda em plena selva amazônica.

Apesar das perdas, aquele pedaço isolado e pouco conhecido da Amazônia guarda ícones que podem fazer a diferença na busca pelo desenvolvimento econômico. E esse potencial vai além de curiosidades turísticas, como o fato de a capital, Macapá, ser cortada pela linha imaginária que divide o planeta em dois hemisférios. O “centro do mundo” é simbolizado por um marco de concreto cujo traçado linear coincide com a divisão central do campo no estádio de futebol da cidade, onde um time joga no Hemisfério Sul e, o outro, no Norte.

À margem do Rio Amazonas, que banha a cidade antes de descarregar no oceano o gigantesco volume médio de 200 milhões de litros de água por segundo, se localiza a fortaleza de São José, erguida no século XVIII para proteger a entrada da Floresta Amazônica contra invasores movidos pela cobiça de riquezas, como o ouro.

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