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Mamanguape (PB) - Peixe-boi-marinho mobiliza comunidades e dá um novo destino para a região

· Paraíba

Na Barra de Mamanguape, à frente de um cordão de recifes de corais que emoldura uma vila caiçara, se localiza uma base do projeto de conservação do peixe-boi-marinho, que tem morada na região. Nas instalações do centro, animais resgatados pela fiscalização no litoral nordestino ou feridos por acidente nas redes de pesca, principalmente filhotes, são recuperados para voltar à natureza. Após o retorno ao ambiente selvagem, os peixes-boi são monitorados por jovens da localidade, na maioria filhos de pescadores. Eles trabalham como guias comunitários, explicando a rotina de conservação da espécie para visitantes a bordo de canoas, sempre na expectativa de achar um deles nadando e exibindo aquele tradicional ar “bonachão”.

Em todo o país, a Paraíba é o lugar de maior registro de avistagens desses mamíferos aquáticos, principalmente no período chuvoso, entre maio e julho. Planeja-se instalar observatórios flutuantes nos pontos mais frequentados pelos bichos. Os guias locais sabem onde encontrar os peixes-boi que foram introduzidos no ambiente selvagem e são agora monitorados com auxílio de rádio transmissor VHS. “Diariamente preenchemos uma planilha com dados sobre o deslocamento e comportamento dos animais”, revela Geraldo de Brito, 63 anos, o “Biruca”.

Pela região circulam a Mel, Zelinha, Iara, Tita, Juan, Tico e Chuchu, o mais antigo de todos, há mais de dez anos solto no ambiente aquático após os cuidados dos tratadores nos tanques de reabilitação. “Por muito tempo os animais foram caçados com arpões, como fonte de alimento”, informa Adriano do Nascimento, 29 anos, ex-pescador que no passado topava com peixe-boi quando saía ao mar em busca de tainhas e sardinhas.

De lá até a Praia de Campina, o visual da costa é desenhado por dunas e falésias até o pontal com manguezais exuberantes. No outro lado da barra, no ponto onde o Rio Mamanguape encontra o mar, se localiza a terra indígena dos potiguaras, que reúne mais de 7 mil índios, em sete aldeias. Eles são considerados o único povo autóctone do país, ou seja, que nunca migrou, viveu sempre naquela região. No passado, os indígenas viviam também da caça do peixe-boi. Atualmente, a principal atividade é a criação de camarão em cativeiro.

Fragmento do livro Extremos da Mata Atlântica, publicado pela Fundação SOS Mata Atlântica

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