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Manaus (AM) - Amazônia registra déficit social em relação ao resto do Brasil

· Amazonas

A Amazônia é uma terra de superlativos. Guarda a maior floresta tropical do planeta, onde estão os mais expressivos estoques de biodiversidade, carbono e água doce da superfície terrestre. Ninguém duvida do quanto é estratégica ao equilíbrio climático global. Mas quando o assunto sai do campo ambiental e entra no social, o quadro é preocupante. Tal constatação não é propriamente uma novidade, porque desde muito tempo as estatísticas nacionais revelam o nível da pobreza e a deficiência de acesso a serviços básicos naquele território, que corresponde a 61% da área total Brasil. A notícia é que pela primeira vez um novo índice mais completo e abrangente, aplicado aos nove estados e 772 municípios amazônicos, dimensionou a disparidade entre as condições de vida na floresta e a realidade do resto país.

E a conclusão foi nada animadora. A Amazônia apresenta um significativo déficit em relação ao Brasil, conforme mediu o Índice de Progresso Social (IPS). Os resultados foram inferiores para quase todos os quesitos e o cálculo final situou-se abaixo da média nacional. “Como região estratégica para o mundo, está abaixo do aceitável”, adverte Adalberto Veríssimo, do Imazon, coordenador do projeto.

A análise abrange 43 indicadores, agrupados em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos para o bem-estar e oportunidades, segmento que teve o pior desempenho. Nessa categoria, foram avaliados quesitos como direito e liberdade individuais, tolerância e acesso à educação superior. Por outro lado, a melhor pontuação, única situada acima da média nacional, foi alcançada pelo tema “sustentabilidade dos ecossistemas”, devido principalmente à queda no desmatamento nos últimos dez anos.

Um dos objetivos foi entender como o progresso social influencia o desenvolvimento econômico. Alguns munícios com renda per capta baixa apresentaram IPS alto em relação a outros que estão na mesma faixa econômica. Não é verdade que necessariamente um melhor padrão econômico resulta em boas condições sociais. Parauapebas (PA), polo de mineração, tem renda per capta relativamente alta, de R$ 7,5 mil, e ocupa a 184ª posição no ranking social. Ao mesmo tempo, o município de Parintins (AM) registra renda de apenas R$ 3,7 mil e está em 74ª lugar no índice, o que sinaliza a existência de políticas e arranjos locais para fazer mais com menos.

“Entender as especificidades da Amazônia é importante para a formulação de políticas públicas mais adequadas”, pondera Veríssimo. Desenvolvido no mundo por um conjunto de instituições, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), Harvard University e University of Oxford, o índice reúne parâmetros como sustentabilidade e segurança pública, que vão além dos utilizados por indicadores tradicionais. Na Amazônia, a iniciativa foi aplicada com apoio da Climate and Land Use Alliance e outras entidades, gerando 12 mapas que retratam questões essenciais às condições de vida, como o saneamento, que na floresta teve metade da nota recebida pelo Brasil como um todo.

 

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