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Nova Redenção - Pré-história desvendada

Grutas podem abrigar cemitérios de fósseis que revelam o ambiente do passado


Além da beleza dos salões que guardam uma grande variedade de formações rochosas esculpidas pela ação da água ao longo de milênios, as cavernas podem esconder cemitérios de animais pré-históricos. Isso acontece principalmente nas grutas que abrigam rios com leito de areia, no qual o tempo soterrou esqueletos de bichos mortos levados para o mundo subterrâneo pela força da correnteza e pelas enxurradas ocorridas na superfície. Um dos maiores sítios paleontológicos deste tipo até hoje encontrados no país se localiza na Chapada Diamantina (BA), onde a equipe do pesquisador Castor Cartelle, diretor do Museu de Paleontologia da PUC em Belo Horizonte, descobriu no começo de 2006 um grande depósito de fósseis da megafauna. Nesta ocasião, na caverna do Poço Azul, no município de Nova Redenção (BA), foram retirados do fundo do lago subterrâneo ossadas de 35 diferentes animais pré-históricos, entre eles quatro espécies de preguiças-gigantes.

Para descobrir bichos em locais de acesso tão difícil, muitas vezes os paleontólogos se valem de informações de moradores locais, de espeleólogos que se aventuram em conhecer pontos distantes dentro das cavernas ou de mergulhadores especializados em observar o mundo subaquático nesses ambientes. No caso das pesquisas de Cartelle, o resgate dos esqueletos só foi possível depois que o cinegrafista subaquático Túlio Schargel encontrou por acaso no local, em 1997, um fóssil de proporções inexistentes na época atual: a costela de uma preguiça-gigante. Oito anos depois, Túlio voltou à caverna, acompanhado pela equipe de paleontólogos chefiada por Cartelle e por megulhadores equipados com o que de mais moderno existia para resgatar as ossadas com segurança.

Foram encontrados, além das preguiças, fósseis de mastodonte, animal do porte de um elefante asiático; um texodonte, herbívoro de grande porte parecido com o rinoceronte; e um pampatério, um tipo de tatu que pode atingir 3 metros de comprimento. “Os vestígios desses animais, que habitaram a América do Sul durante o Pleistoceno, entre 2 milhões e 10 mil anos atrás, revelam as condições ambientais da época”, explica Cartelle. Segundo o cientista, os bichos encontrados na caverna do Poço Azul, analisados no conjunto, mostram que naquela região existiam muito mais florestas que nos dias atuais. “Pequenos macacos carnívoros, como os que achamos no local, não poderiam ter sobrevivido em ambiente dominado por pastagens como o atual”, garante o cientista.

Após a expedição, Cartelle agora coordena um grupo de técnicos que está separando e catalogando com ajuda de peneiras, lupas e pinças, peças minúsculas -- como dentes e pequenos ossos -- retiradas da caverna junto com a terra. “O projeto é identificar todas as espécies do cemitério e conhecer em mais detalhes a vida pré-histórica na região”, informa o pesquisador. No começo do trabalho, os cientistas já chegaram à conclusão de que algumas espécies foram identificadas de maneira equivocada no passado. “Entre os exemplos, está uma preguiça de porte médio que habitou o continente há 11 mil anos e na verdade pertence a uma espécie diferente da que os cientistas tinham classificado em 1950”, revela Cartelle.

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