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Rio de Janeiro (RJ) - Questão de estilo

· Rio de Janeiro

A beleza exótica dos colares pendurados nas paredes chama atenção. Alguns são de flores de babaçu; outros, de cortiça com inajá, ou de macramê com cipós, além do “açaí 33 voltas”. Os nomes não deixam dúvidas sobre a origem: a biodiversidade. Naquela casa da bucólica rua Visconde de Carandaí, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro (RJ), funciona não somente o showroom, mas o quartel general da designer amazonense Maria Oiticica – e da marca de acessórios que leva o seu nome. A batalha está em avançar no mercado aliando estilo à brasilidade e à sustentabilidade. Com uma arma que pode fazer a diferença: sementes e fibras da Amazônia, debulhadas pelas mãos de extrativistas para inspirar a criação artística, ganhar ares de sofisticação e assim reluzir nas passarelas da moda, com ganhos para todos desde a floresta que precisa ser mantida em pé.

Tudo começou quando o marido precisou dar um presente típico da terra à curadora de um museu americano: “sugeri um colar, mas como não achei um modelo de melhor estilo nas lojas de artesanato em Manaus, comprei várias peças, as desmontei e criei uma nova”, recorda-se a designer. O resultado veio mais tarde: com a lembrança do belo presente sempre viva, a curadora comprou quase todo o estoque do atelier que Oiticica acabara de montar, no Rio de Janeiro, em 2003. A ideia de fazer peças com alma brasileira pegou e um ano depois a empreendedora já abria o primeiro ponto em shopping center, até que enfim veio a primeira exportação: 53 mil peças para a “Semana Brasil”, da rede americana Macy’s.

“Foi uma loucura, porque a Amazônia estava no período de cheia dos rios e não havia sementes de jarina e flores de inajá suficientes para a encomenda, sendo necessário acionar redes de artesãs em vários locais do País”, conta Oiticica, desde menina habituada a lidar com objetos da floresta levados para casa pelo pai, tradicional comerciante que negociava gêneros alimentícios nas comunidades ribeirinhas em troca de produtos extrativistas para revender na cidade grande.

Hoje com 13 funcionários e três lojas na capital carioca, a marca busca alternativas para superar a queda de vendas devido à situação econômica do País. Para a empresária, a exportação é uma saída. “Os produtos encantam, mas é preciso fôlego para encarar o atual momento”, avalia a empresária. Matéria-prima, frete para recebê-la e esterilização das sementes representam 30% do custo total, o que obriga agregar valor. A empresa mantém um projeto social, em que trinta mães de baixa renda são remuneradas para fazer a montagem de brincos e colores enquanto aguardam o atendimento médico dos filhos no hospital pediátrico do Instituto Fernandes Figueira. “Usamos menos do que deveríamos nossos atributos socioambientais”, admite Oiticica, reforçando o aprendizado no ICV Global. “Lá entendemos as barreiras para conseguir ultrapassá-las”.

Fragmento da publicação Do Brasil para o mundo: inovação e sustentabilidade nas cadeias de valor – ICV Global/GVces/Apex-Brasil

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