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Santo Antônio do Jardim (SP) - Cafezinho sem culpa

 

Questões ambientais e sociais agregam novos atrativos para a bebida

· são paulo

 

Cumprir o ritual do sagrado cafezinho sem que o hábito esteja associado à degradação ambiental e ao desrespeito às leis trabalhistas é hoje um desejo de consumo em mercados como o americano, o europeu e o japonês. Diante da tendência, adaptações na produção das fazendas e capricho na imagem do produto como aliado contra o desmatamento e o uso indiscriminado de agrotóxicos tornam-se elementos-chaves para o sucesso de um negócio tão arraigado na cultura brasileira.

A preocupação atual supera a tradicional e permanente busca da qualidade de grão e torra – requinte diretamente responsável pelo aroma e paladar tão apreciados mundo afora. E quem enxergar uma oportunidade nas novas exigências típicas do século XXI tem mais chances de ocupar espaços nobres no mercado, como ocorreu com o produtor paulistano Jefferson Adorno.

“Encontrei uma nova paixão”, afirma o fazendeiro, um engenheiro eletrônico que trocou a maior metrópole do País pela pacata rotina no campo. Tudo começou com um sequestro relâmpago que o fez refletir e mudar de vida. Após viagem para inspirações na cultura inca em Machu Picchu, no Peru, o projeto inicial foi cultivar shitake na fazenda da família, em Santo Antônio do Jardim (SP). Mas uma praga no cogumelo o empurrou para a produção de café, tradicional na propriedade, aproveitando que o pai se dizia cansado com as dificuldades do negócio. “Fiz cursos e aprendi segredos da cultura cafeeira com o antigo administrador da fazenda”, conta o empreendedor.

No começo, a saída para se diferenciar no mercado de commodities foi investir para carimbar o produto com o selo socioambiental Rainforest Alliance Certified, bastante reconhecida lá fora. “Achávamos que era coisa para gente grande, mas fomos em frente, unidos a outros produtores para tornar o processo viável”, diz Jefferson. Depois, foi obtida a certificação internacional UTZ, com ênfase na segurança alimentar e na rastreabilidade da origem do produto. Mas todo café era exportado em grupo por uma cooperativa da região.

Apesar dos esforços, o apelo da sustentabilidade ainda não gerava o valor esperado. Pagava-se entre 1% e 5% a mais por esse diferencial. Na prática, o principal ganho com os selos estava na gestão mais eficiente da propriedade. “Não tínhamos como encarar sozinhos a competição com os gigantes do setor”, explica Jefferson, que ao lado da mulher, a agrônoma Marianna Zibordi, pesquisou alternativas para a Fazenda Santo Antonio com seus 128 hectares.

Segundo o fazendeiro, o salto surgiu durante o ICV Global: “constatamos que, na venda, só mostrávamos a existência do selo de certificação e não os atributos a ele relacionados”. Ele desenhou uma “mandala do café sustentável” com todos os diferenciais socioambientais e depois a colocou em lugar de destaque no site da fazenda na internet.

Mas o principal feito estava por acontecer. Na rodada de negócios, um dos momentos mais esperados entre as diversas atividades do projeto, Jefferson apresentou amostras dos grãos verdes. E foi motivado pelo representante de uma das tradings participantes a produzir e exportar o café já torrado, principalmente para os Estados Unidos. Para isso foi preciso caminhar pelas próprias pernas em terreno desconhecido, fora da cooperativa; investir em equipamentos, concepção de marca e embalagem. O primeiro lote de 5 toneladas (100 sacas) de café torrado será exportado no segundo semestre de 2015, podendo ter como destino redes de fastfood que apostam no atrativo da sustentabilidade.

Em comparação ao grão verde, a rentabilidade do produto torrado será oito vezes superior, passando de R$ 100 para R$ 800 por saca. A maior renda será aplicada em máquinas para melhorar a separação do café com padrão de exportação, dobrando a quantidade a ser comercializada lá fora. “Até curso de inglês voltei a fazer como preparativo para os novos tempos”, revela o empreendedor. De resto, os atributos do produto lá cultivado com proteção de nascentes, inventário de espécies da fauna e flora, reposição de mata na beira dos rios e condições adequadas de trabalho, deverão falar mais alto.



 

Extraído da publicação ICV Global/GVces

Cumprir o ritual do sagrado cafezinho sem que o hábito esteja associado à degradação ambiental e ao desrespeito às leis trabalhistas é hoje um desejo de consumo em mercados como o americano, o europeu e o japonês. Diante da tendência, adaptações na produção das fazendas e capricho na imagem do produto como aliado contra o desmatamento e o uso indiscriminado de agrotóxicos tornam-se elementos-chaves para o sucesso de um negócio tão arraigado na cultura brasileira.

A preocupação atual supera a tradicional e permanente busca da qualidade de grão e torra – requinte diretamente responsável pelo aroma e paladar tão apreciados mundo afora. E quem enxergar uma oportunidade nas novas exigências típicas do século XXI tem mais chances de ocupar espaços nobres no mercado, como ocorreu com o produtor paulistano Jefferson Adorno.

“Encontrei uma nova paixão”, afirma o fazendeiro, um engenheiro eletrônico que trocou a maior metrópole do País pela pacata rotina no campo. Tudo começou com um sequestro relâmpago que o fez refletir e mudar de vida. Após viagem para inspirações na cultura inca em Machu Picchu, no Peru, o projeto inicial foi cultivar shitake na fazenda da família, em Santo Antônio do Jardim (SP). Mas uma praga no cogumelo o empurrou para a produção de café, tradicional na propriedade, aproveitando que o pai se dizia cansado com as dificuldades do negócio. “Fiz cursos e aprendi segredos da cultura cafeeira com o antigo administrador da fazenda”, conta o empreendedor.

No começo, a saída para se diferenciar no mercado de commodities foi investir para carimbar o produto com o selo socioambiental Rainforest Alliance Certified, bastante reconhecida lá fora. “Achávamos que era coisa para gente grande, mas fomos em frente, unidos a outros produtores para tornar o processo viável”, diz Jefferson. Depois, foi obtida a certificação internacional UTZ, com ênfase na segurança alimentar e na rastreabilidade da origem do produto. Mas todo café era exportado em grupo por uma cooperativa da região.

Apesar dos esforços, o apelo da sustentabilidade ainda não gerava o valor esperado. Pagava-se entre 1% e 5% a mais por esse diferencial. Na prática, o principal ganho com os selos estava na gestão mais eficiente da propriedade. “Não tínhamos como encarar sozinhos a competição com os gigantes do setor”, explica Jefferson, que ao lado da mulher, a agrônoma Marianna Zibordi, pesquisou alternativas para a Fazenda Santo Antonio com seus 128 hectares.

Segundo o fazendeiro, o salto surgiu durante o ICV Global: “constatamos que, na venda, só mostrávamos a existência do selo de certificação e não os atributos a ele relacionados”. Ele desenhou uma “mandala do café sustentável” com todos os diferenciais socioambientais e depois a colocou em lugar de destaque no site da fazenda na internet.

Mas o principal feito estava por acontecer. Na rodada de negócios, um dos momentos mais esperados entre as diversas atividades do projeto, Jefferson apresentou amostras dos grãos verdes. E foi motivado pelo representante de uma das tradings participantes a produzir e exportar o café já torrado, principalmente para os Estados Unidos. Para isso foi preciso caminhar pelas próprias pernas em terreno desconhecido, fora da cooperativa; investir em equipamentos, concepção de marca e embalagem. O primeiro lote de 5 toneladas (100 sacas) de café torrado será exportado no segundo semestre de 2015, podendo ter como destino redes de fastfood que apostam no atrativo da sustentabilidade.

Em comparação ao grão verde, a rentabilidade do produto torrado será oito vezes superior, passando de R$ 100 para R$ 800 por saca. A maior renda será aplicada em máquinas para melhorar a separação do café com padrão de exportação, dobrando a quantidade a ser comercializada lá fora. “Até curso de inglês voltei a fazer como preparativo para os novos tempos”, revela o empreendedor. De resto, os atributos do produto lá cultivado com proteção de nascentes, inventário de espécies da fauna e flora, reposição de mata na beira dos rios e condições adequadas de trabalho, deverão falar mais alto.

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