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São Sebastião da Grama / Espírito Santo do Pinal (SP) - Uma chance para a vida silvestre

A Mata Atlântica é considerada um dos ..... hotspots do planeta – áreas que são importantíssimas para a conservação da biodiversidade e sofrem a pressão de diferentes ameaças. Ao longo da história, como ponto inicial de exploração pelos colonizadores, a região foi a mais impactada pela expansão cafeeira. Hoje é cenário da restauração florestal incentivada pelo selo socioambiental. Em seus diferentes ecossistemas, envolvendo uma de abrangência de 1,1 milhão de Km2 (13% do território brasileiro), resiste uma parcela significativa da diversidade biológica do país, com mais de 20 mil espécies vegetais e 2.168 animais. Além desta riqueza, o bioma abriga os cursos de água que abastecem a maior parte das indústrias e da população do país.

 

· são paulo

No casarão antigo da Fazenda Recreio, no município de São Sebastião da Grama (SP), o engenheiro agrônomo Diogo Dias guarda testemunhos de um passado que poucos gostam de lembrar. Quinta geração de uma família que produz café na região há 120 anos, o atual proprietário mostra uma cabeça de paca empalhada pelo avô como relíquia ao lado dos troféus que atestam a estirpe do gado leiteiro. Fotos antigas de cães farejadores retratam o hobby da família, no passado um “esporte” de luxo: a caça. O hábito, no correr do tempo, se popularizou. “O Rio das Antas, que cruza a sede do município, já não tem anta faz décadas”, lamenta Diogo, reconhecendo os erros de um passado bem diferente da atual realidade da fazenda, interessada na certificação socioambiental.

Por muitos anos a madeira extraída da Mata Atlântica para a expansão dos cafezais abasteceu uma serraria na fazenda. “Foi quase tudo derrubado até a década de 1980, com incentivo fiscal do governo”, diz o fazendeiro. A fertilidade natural sob a ex-floresta passou a servir ao café. Chegou ao ponto desse solo mais rico em nutrientes, protegido debaixo das árvores nativas, ser removido e transportado para manter os cultivos. A mata, diz Diogo, valia muito mais cortada do que em pé e era preservada apenas na medida necessária para sombrear as mudas de café. “Mas o advento de novas técnicas agrícolas e o uso do calcário e fósforo para nutrir o solo reduziram a pressão sobre o ambiente natural”, explica o produtor.

No ano 2000, Diogo largou a vida agitada de São Paulo para gerir o patrimônio rural da família, deixado pelo avô. Chegou com novidades. A partir de sua formação acadêmica em Agroecologia, o fazendeiro descobriu que poderia conciliar a produção à questão ambiental. E começou a participar de treinamentos que o ajudaram a entender o conceito da produção sustentável. Segurança do trabalho e cumprimento das leis trabalhistas foram as prioridades iniciais – processo que contribui no sentido de preparar a fazenda para uma futura certificação. “Tive atritos com meu avô, porque ele seguia a velha tradição de priorizar o volume sobre a qualidade”, admite Diogo. “A barreira cultural foi tão forte que só consegui avançar depois da sua morte”.

De imediato, o fazendeiro retirou o café próximo das nascentes, até então desprotegidas, e plantou no lugar mudas nativas. Em seguida, iniciou um projeto para construir rede de coleta e tratamento de esgoto em substituição das fossas nas 68 moradias da fazenda. A água passou a ser racionalizada no processo produtivo e purificada antes do lançamento no ribeirão. Para completar, terrenos vizinhos impróprios para cafezais foram adquiridos para reflorestar com a finalidade de criar a reserva legal. A medida é resultado de um termo de compromisso assinado pelas propriedades da região. No total, 33% da Fazenda Recreio estará protegida, incluindo as APPs -- áreas de preservação permanente na borda de cursos de água e topos de morro.

No escritório, latões para lixo reciclável e quadros de avisos com mapas de riscos ambientais são indicadores de boas práticas. Na copa, o cheirinho do Café Dona Mathilde, marca própria da fazenda, não deixa dúvidas sobre a qualidade, atestada por diplomas. E outros reconhecimentos estão por vir. “Estamos nos adequando para a certificação socioambiental, uma jóia importante para vender melhor e abrir mercados”, destaca Diogo. Mas é preciso ir além. Como no dominó, a vitória na ponta final do tabuleiro depende das peças que temos na mão durante o jogo. Uma interfere na outra. Diogo arremata: “Para a lógica da certificação obter êxito, as informações sobre as mudanças de práticas no campo em favor da biodiversidade devem chegar ao consumidor”.

Esse é um dos principais desafios do Programa Café e Biodiversidade, desenvolvido no Brasil pelo Imaflora, destinado a demonstrar os benefícios da certificação e estruturar o mercado para a descoberta de novos valores por traz do inestimável cafezinho. Se a bebida historicamente apagou o verde no mapa da Mata Atlântica, hoje o hábito do indispensável cafezinho pode canalizar a sua regeneração.

O diferencial do selo socioambiental é um caminho para valorizar o produto e compensar economicamente a cessão de áreas produtivas para a conservação, sobretudo nos tempos de café com preço em baixa. “Cafeicultor no vermelho não protege o verde”, ilustra o fazendeiro. Sentado na confortável varanda da casa-grande com vista para uma vigorosa porção de Mata Atlântica que restou, Diogo completa: “Estou arcando atualmente com os custos de consertar os erros do passado, mas é preciso recompensa pelas mudanças”.

“A certificação socioambiental, ao lado da busca por cafés especiais de qualidade diferenciada, é estratégica no cenário de incertezas econômicas na cultura cafeeira”, atesta o consultor Marcelo Viviani, responsável pela articulação e orientação de pequenos produtores no Sul de Minas Gerais, onde a cultura cafeeira está presente desde o século XIX. O estímulo de mercado para adoção de boas práticas é, no final das contas, uma condição para investimentos na conservação da biodiversidade. “Em alguns casos, o alto custo da produção sem compensações econômicas inviabiliza o cumprimento da legislação ambiental”, afirma o consultor, identificando avanços capazes de elevar os pequenos produtores a um novo patamar. Obviamente, o apogeu dos barões do café com suas fazendas que mais parecem cenário de novela é coisa do passado. “A auto-estima nos cafezais modernos não é ligada ao poder e riqueza, mas à sobrevivência com qualidade e padrões sustentáveis”, afirma Viviani. “Sem reconhecimento, fica difícil abandonar práticas já estabelecidas e seguir o caminho do novo e do desconhecido”.

É um trabalho “formiguinha” -- lento, mas com resultados que já demonstram o poder da nova visão para reverter os impactos na Mata Atlântica. O esforço visando transformações a partir dos critérios exigidos pelo selo socioambiental começa nas atividades de bastidores. São treinamentos, palestras e eventos promovidos pelo Imaflora através do Programa Café e Biodiversidade, facilitando a compreensão e o entendimento a respeito das normas da Rede de Agricultura Sustentável (RAS) e oportunidades de mercado.

Para receber o selo, as propriedades investem em todo um trabalho de avaliação prévia e de preparativos e adequação às normas. Nos cafezais já certificados, as auditorias de campo se repetem anualmente dentro de um processo de melhoria contínua. São abordadas questões-chave como preservação da vegetação nativa e conservação dos recursos hídricos, manejo de resíduos, uso de agrotóxicos, condições de trabalho, saúde e segurança, cumprimento da legislação e treinamento dos trabalhadores. São aspectos ambientais e sociais, direta ou indiretamente ligados à conservação da vida silvestre. Desse cenário dependemos todos nós para garantir água e clima equilibrado e obter a maioria dos produtos de consumo diário -- dos móveis ao papel de livros e jornais, embalagens diversas e alimentos como o tão apreciado café.

Como importante e antigo pólo cafeeiro do país, a região de Poços de Caldas, nos campos de altitude do Sul de Minas Gerais e Norte de São Paulo, inspira cuidados. A paisagem exibe cicatrizes. Dentro de uma lógica historicamente mais econômica que ecológica, áreas nativas são ainda desmatadas para plantio, sem respeito às leis ambientais. Ou são alvos de queimadas, resultado de práticas que passam de geração em geração, ao ritmo da sucessão familiar. Quando os filhos crescem, os proprietários “abrem” novos pedaços de mata para lhes garantir uma renda. De geração em geração, a floresta vai abaixo, acima dos limites permitidos.

Novas gerações de produtores consertam os erros dos avós

Apesar das antigas ameaças, a situação -- há que se dizer -- está hoje mais controla que tempos atrás. Nem tudo está perdido. Na estrada por entre cafezais, chegamos à Fazenda Cachoeira da Grama, onde tempos atrás as crianças não conseguiam ir à escola quando chovia. O lugar ganhou melhorias: clube, moradias reformadas e novos prédios mais seguros para agroquímicos. São sinais de que a visão da sustentabilidade chega aos produtores mais jovens, preocupados em achar caminhos para evoluir na produção sem impactos que podem afetar o futuro de seus negócios. Aos poucos, consolida-se o entendimento de que as questões sociais e econômicas se atrelam à conservação dos recursos naturais para garantir equilíbrio climático, alimento, água e bem-estar no futuro.

Na rodovia de acesso ao Sítio Samambaia, no município de São Sebastião da Grama (SP), água em fartura corre pelos barrancos. Placas indicam áreas de conservação onde antes existiam pés de café. Na sede da propriedade, o produtor Aparecido Lopes, 60 anos, “bate” o café que seca ao sol no pátio em frente à casa da família. Ele olha para as montanhas ao redor e diz, sem esconder o ímpeto que tinham os pioneiros com seus machados: “Derrubar mata antes era sinal de progresso; hoje é atentado à natureza”.

Seu filho Klebio, 27 anos, líder da cooperativa local, defende práticas menos destrutivas para adequar a produção aos novos tempos. O sítio começou a produzir café na década de 1960 sobre o pasto que inicialmente ocupou o lugar da Mata Atlântica. As samambaias, inspiração para o nome da propriedade, extinguiram-se. Estradas aterraram riachos e agora a nova geração da família se dedica a recuperar a natureza perdida. Nascentes sufocadas em meio ao cultivo foram demarcadas para a retirada das plantas de café no raio de 50 metros. No lugar, o produtor plantou mudas nativas, como ipê, jacarandá e caqui, dentro de um programa de 18 anos de recuperação, monitorado nas auditorias anuais da certificação. “O selo socioambiental pode ser a luz no fim do túnel para os pequenos produtores da região, com ganho para conservação ambiental”, avalia Klebio, demonstrando conhecer o desafio que tem pela frente.

Seguindo na rodovia no sentido do município Espírito Santo do Pinhal, em território paulista, a paisagem bordejada por cafezais retrata a transição entre Mata Atlântica e Cerrado. Na fazenda Retiro Santo Antônio, o proprietário Jefferson Rissato, 39 anos, se prepara para cumprir as normas da certificação. Ele chegou a engavetar a idéia: “estávamos longe do necessário e achávamos que era coisa restrita à gente grande”. Mas Rissato passou a enxergar o assunto como algo viável, quando foi montado um grupo de produtores interessados no selo socioambiental. “É importante flexibilidade para se achar um modelo mais adequado à nossa a realidade”, opina o produtor, interessado em fugir do mercado de commodities, agregando o valor da qualidade ao produto.

“Por ironia da história, a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi um assalto que sofri em São Paulo e me fez apostar na vida mais pacata no campo”, conta Rissato. O esmero pela organização e limpeza, importante para quem almeja a produção sustentável, pode ser constatado nos recantos da propriedade em Santo Antônio do Jardim (SP). O caminho sinaliza a existência de um trabalho também cuidadoso para proteger a água e a biodiversidade.

O acesso à fazenda dá vista para uma baixada onde brota água em meio ao pasto já degradado, hoje cercado para ser reflorestado. A iniciativa é conduzida com apoio de um projeto do governo estadual de São Paulo em diferentes microbacias. Proprietários que abrem mão de terras produtivas para a conservação da água recebem insumos para criar gado em áreas menores mais adequadas, material para construir fossas sépticas e mudas de espécies nativas, dentro de um planejamento previamente aprovado.

De início, 4 hectares na beira de rios ganharam reposição florestal. Os cursos de água, incluindo nascentes antes expostas ao acesso do gado, foram protegidos com 3 Km de cerca. “A meta é estender a proteção a toda área de APP em oito anos”, revela o produtor, que agora investe em instalações para separar óleos e em planos de gestão, essenciais para a conquista do selo socioambiental. Toda a parte trabalhista, como treinamento para uso de agrotóxicos, está em dia. E os produtos mais tóxicos, proibidos pelas normas de certificação, foram abolidos.

Com o dinheiro do prêmio “Destaque Cafeicultor”, do Conselho dos Exportadores de Café, o produtor construiu depósitos adequados para agroquímicos e arregaça as mangas para testar práticas que reduzam impactos ambientais. Parte do cafezal é arborizado com espécies nativas, com base em métodos de Agroecologia, para permitir sombra e amenizar a oscilação de temperatura. “A turma por aqui me disse que tinha enlouquecido quando comecei a usar material obtido dos próprios insetos para pulverizar a lavoura”, conta Rissato. “Com menos veneno, mais passarinhos frequentam a região”, completa.

Hoje o proprietário faz medições no sentido de saber quanto falta reflorestar para compor a tão planejada reserva legal. Veados-campeiros, quatis e cachorros-do-mato são avistados com mais freqüência, segundo.Rissato. Ele conclui: “Será um orgulho deixar padrões sustentáveis como legado para meus filhos, porque será a geração deles que efetivamente mudará os rumos do planeta”.

Cooperativa conscientiza para mudanças

“Além das vantagens econômicas, a certificação promove uma nova maneira de lidar com o meio ambiente”, afirma Oswaldo Netto Junior, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Pinhal (Coopinhal), que reúne 200 cooperados, donos de propriedades com tamanho médio de 20 hectares. Vinte deles compõem um grupo que começa a adotar critérios ambientais e sociais da certificação, com potencial de gerar um efeito multiplicador. Oswaldo diz que ainda há resistência dos produtores mais antigos. “Eles pagam pelo que fizeram no passado”, afirma o proprietário, demonstrando uma nova visão..

Se antes a expressão “conservação da natureza” era sinônimo de atraso, hoje em dia é motivo de status, de engajamento com o moderno. “Tenho jatobá, aroeira, cedro e jacarandá”, orgulha-se o proprietário Gilberto Paiva, diretor da cooperativa, dono de uma área pertencente à família desde 1863.

Na entrada da sede da cooperativa, em Espírito Santo do Pinhal, a placa com dizeres da moda indica a inspiração para o trabalho: “crescer e se desenvolver com bases econômicas sólidas e ser comprometido com a preservação do meio ambiente”. Focando esses objetivos, cultivos dos pequenos produtores são mapeados por imagem de satélite para aprimorar a gestão do território e das áreas de conservação. Para somar forças no mercado, o plano é ambicioso: além das plantações, diferenciar com o selo socioambiental o armazém que guarda o café da marca própria Gran Reserva para exportação, e também a torrefação, destinada ao mercado interno.

O produtor Alexandre Hüsemann, presidente da Coopinhal, herdou do bisavô uma fazenda de 150 hectares, produtiva desde 1860. “Cem anos depois, quando os cafezais foram reformados, ninguém se preocupava com Ecologia, mas só com aumento da produção e com o controle de praga mediante uso exagerado de agrotóxico que hoje está banido”, recorda-se o proprietário. Pacas e canarinhos sumiram, porque a maior parte da Mata Atlântica pegou fogo e cedeu lugar ao café. “Restaram 12 hectares de floresta natural que se manteve intocada e que hoje conservo a todo custo, e mais 6 hectares estão reservados para plantio de espécies nativas”, ressalta Hüsemann. Ele diz estar pronto para a certificação, também nos aspectos sociais e trabalhistas: “Mais informação e melhores condições de vida para empregados fixos e temporários significa menor o risco de danos ambientais”.

A maior parte da região é ocupada por pastagens -- e não mais por café, como no passado de apogeu. Em busca de lucros, fazendeiros erradicam cafezais em áreas altas não mecanizáveis para reflorestar com eucalipto e obter mais renda. A paisagem muda, mas a história não se apaga. A cidade de Espírito Santo do Pinhal reflete na arquitetura dos casarões antigos os tempos de glória com o ciclo econômico do café, no século XIX. Embora sem o poder de outrora, a cultura cafeeira resiste na região como importante motor da economia, dividindo espaço com o gado e o eucalipto. Para mantê-la pulsante, as esperanças repousam na qualidade do produto e nos cuidados socioambientais carimbados por um selo que confere valor diferenciado no mercado.

De olho no futuro, a exportadora Sumatra Cafés Brasil, sediada em Pinhal, apostou na novidade. A empresa vende 600 mil sacas por ano para Estados Unidos e Europa, a partir da produção de diferentes fazendas. Desse total, 5% é produto diferenciado com o selo Rainforest Alliance Certified. Na Fazenda São Joãozinho, que pertence à empresa, as auditorias do Imaflora abrangeram tanto o cafezal como o armazém para exportação, localizado na cidade. “A motivação partiu de um de seus maiores compradores -- a multinacional Kraft Foods, que exige garantia de qualidade dentro de critérios socioambientais”, informa o gerente de qualidade, Augusto César de Souza.

“Para cumprir as normas, em um único dia de limpeza chegamos a retirar o equivalente a dois caminhões de lixo”, conta Adélia Paschoini, gerente de compras da fazenda. O plano agora é receber 100 mil mudas nativas, obtidas por doações à organização ambientalista SOS Mata Atlântica. Objetivo: substituir eucaliptos ao lado dos cafezais, compondo a reserva legal.

Em busca de mais espaço no mercado, igual caminho foi seguido por outros fornecedores da empresa, multiplicando as transformações no campo a partir da melhor gestão ambiental. Mas há desafios, como convencer pequenos produtores avessos a mudanças. A comunidade Santa Luzia, em Pinhal, que reúne 90 famílias descendentes dos primeiros italianos que chegaram ao Brasil para trabalhar nos cultivos de café, mantêm hábitos tradicionais. Mãos calejadas, eles guardam vivas na memória as agruras dos antepassados pela sobrevivência, sem aceitar abrir mão de terras produtivas para ter área mínima de reserva, como determina a lei. Mas as novas gerações já enxergam sob outro ângulo. A qualidade passa a ser elemento essencial para exportar café para a Itália, sua terra de origem. O selo socioambiental é o próximo passo a ser dado, tendo como referência das boas práticas que chegam na vizinhança.

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